Meus melhores momentos saem de mim no impulso. Meus abraços mais fortes são desesperados, aqueles que imploram, que agradecem, que choram ou comemoram como o último segundo de vida, como uma morte ou um nascimento. Meus risos mais altos são inesperados, não programados, às vezes até inapropriados no elevador ou indiscretos na sala de aula, mas são incontroláveis, como a piada do amigo ou o filme preferido. Meus melhores dias começam reclamando por ter que acordar, por não imaginar o que vai ser do resto das horas e me surpreender ao passar delas. Minhas escolhas mais sensatas vem do coração, na hora decisiva, no instante do agora-ou-nunca. Meus erros mais necessários também vem do coração. A minha vida vem do instinto. A minha vida mais bonita e bem vivida vem do surpreendente, do desespero, do choro que se conteve por tanto tempo e saiu com um pisada boba no pé, do meu riso da minha própria queda do chão… A minha alegria mais sincera vem sem hora marcada, sem previsibilidade. E por mais razão que eu seja, que o meu próprio signo possua e a cautela me ensine a ser, pois as quedas figuradas também doem e nem sempre a gente acha graça, o sangue nas veias pede a vida nos momentos de improviso. É como operar um coração no escuro pelo som que ele emite: parece absurdo, mas pode dar certo. Por mais duro que o mundo seja, meu melhor “eu” se mostra no calor da hora, sem ponderar, sem o pé atrás… Com o coração na boca e um pouquinho de insensatez no olhar. Sempre sem saber onde essa coisa toda pode me levar ou deixar.

Camila Costa.